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A desgraça da docência

Quarta-feira, 24.08.11

 

 

Ser professor já não é aquilo que era! Lembro-me que nos meus tempos de estudante, que não são tão longínquos quanto isso, e refiro-me ao Ensino Básico e Secundário, havia ainda um certo respeito e uma certa reverência pelos professores. É certo, que essa reverência em nada já se comparava com a que existia no tempo dos meus pais, no entanto, muito embora alguns actuassem de forma leviana, na generalidade ainda estava bem presente nas nossas cabeças que o professor era a autoridade. Outrora, a vida de professor revelava já ser algo um tanto ou quanto instável, isto é, a colocação podia ser em cus de judas ou até não existir e ficar efectivo numa escola nunca foi fácil. Ainda assim, os professores, na sua maioria, sentiam-se preenchidos, satisfeitos com a sua profissão pois formavam os discentes e recebiam dos mesmos veneração. Era esse respeito que lhes dava a sensação de que qualquer sacrifício valia a pena. Nos dias que correm, e perante os últimos noticiários, o desemprego grassa entre a classe docente e aqueles que conseguem leccionar vêem-se a braços com o mais completo desinteresse. Se dantes já não era pêra doce ser professor a não sei quantos quilómetros de casa, hoje o esforço que os professores fazem para ensinar em nada é recompensado. E não é recompensado por vários motivos: a falta de interesse dos alunos, as agressões verbais e físicas de que muitas vezes são alvo, um processo de avaliação que não é justo e ridiculariza a sua acção enquanto docentes, et cetera, et cetera. Por tudo isto caminhamos para aquele abismo em que se tornam todos os contextos em que as pessoas não têm formação académica e muito menos cívica. A verdade é que não se fazem omeletas sem ovos e em Portugal muitos são aqueles que já não querem ensinar mesmo que alguns ainda queiram aprender. 

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publicado por Lígia Laginha às 11:52

Uma casa pouco pia

Terça-feira, 23.08.11

 

 

A Casa Pia, ou melhor, a sua direcção, diz ter ficado muito magoada com o processo que envolveu a instituição e que durou dez anos. Agora eu pergunto-me: E as crianças a quem foram perpetrados os abusos? Será que a sua mágoa é menor? Estas declarações da excelsa directora Maria Cristina Fangueiro só demonstram mais uma vez que o que a instituição Casa Pia pretendia é que os abusos constantes cometidos sobre os jovens continuassem no obscurantismo. A minha mágoa, enquanto cidadã e pessoa a quem repugna sobejamente tais atitudes, é outra e prendesse com o facto da justiça não só ser morosa como ineficaz. Senão alguém me diga: Quem são os verdadeiros culpados? Onde é que estão agora esses culpados? E como foi possível que alguns culpados nem à barra do tribunal chegassem? Todas estas perguntas sem resposta é que deveriam causar mágoa e não a imagem de uma Instituição que sempre foi o que se sabe e que só está interessada na sua aparência exterior. A Dona Maria Fangueiro pode dizer o que quiser mas os abusos vão continuar a existir! Infelizmente, para quem os sofre e para quem os sofreu e que depois de tanta exposição viu goradas todas as expectativas de ser feita a verdadeira justiça. Na verdade, sejamos francos: o Processo “Casa Pia” foi uma fantochada em que mais uma vez a verdade dos factos foi esquecida perante interesses mais altos. Nos dias de hoje os valores morais e civilizacionais são muitas vezes atropelados por valores pecuniários, entre outros que nada têm de ético, e isso é encarado como normal, banal e aceitável. Pois para mim é assim: a Casa pia não deveria ter ficado apenas magoada mas ferida de morte! Só com o fim dessa instituição prevaricadora acabaria o sofrimento daqueles que dela têm de fazer parte. Caso contrário, os abusos continuarão até que algum dia alguém se lembre de desencadear uma nova e interminável batalha contra a vergonha que todos vêem mas de que poucos ousam falar.

 

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publicado por Lígia Laginha às 09:55

O amiguinho Khadafi

Segunda-feira, 22.08.11

Os meios de comunicação fazem saber que o regime de Khadafi está prestes a cair. Para grande parte do Mundo ocidental, e até para uma pequena parte do Mundo oriental, esta notícia é recebida com grande agrado. Contudo, e lá vou eu ser mazinha outra vez, há uns tempos atrás essa fatia dos agora opositores do regime líbio estavam em paz com o mesmo e essa paz era-lhes bastante vantajosa. Sempre se soube que Khadafi não respeitava os direitos humanos e que o seu regime era ditatorial, ainda assim o mesmo Khadafi recebia e era recebido pelos líderes europeus como um sorriso na face. Paralelamente, Dalai Lama aquando da sua visita a terras tugas causou desconforto e não foi oficialmente recebido por ninguém. Perante tal só posso deduzir que, apesar de terem as mãos manchadas de sangue, amigos são aqueles que podem oferecer riqueza. Todos os outros, independentemente de clamarem pelos mais altos valores como são a PAZ e o AMOR, não recebem a guarida daqueles para quem esses valores só atrapalham. Para ser simplesmente sincera, revolve-me as entranhas que as pessoas se vendam ética e moralmente por algum petróleo e depois, quando a coisa dá para o torto, se venham armar em defensores idóneos dos Direitos e da Dignidade Humana. Hoje aplaudem a queda de Khadafi mas ontem chamavam-lhe parceiro, um parceiro económico que ajudou muitos a encher os bolsos à custa de um regime cru e duro. Onde entra o povo líbio nesta história? Entra no dia em que esse povo se lembrou em lançar uma revolta, revolta essa que já dura há meses e que lhe continua a custar a vida. Recebem um hipotético apoio de uns quantos que, fugindo com o cu à seringa, os incitam a ir para a frente da batalha e a dar a sua vida por aquilo em que acreditam. Mais uma vez o povo é usado como carne para canhão. E quando Khadafi cair o que virá a seguir? Uma interminável guerra civil? Uma crise humanitária? Quem sabe… Infelizmente, são sempre os mesmos a sofrer e essa é a única certeza que existe.

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publicado por Lígia Laginha às 12:01

O mau perderdor

Sexta-feira, 19.08.11

Quase todos nós já passamos por desafios e competições. O próprio quotidiano nos obriga a competir sob pena de sermos completamente colocados de lado (acreditem que sei do que falo). No entanto, o espírito competitivo deve sempre equacionar não só a vitória como a derrota. José Mourinho, o tal “special one”, parece não querer aceitar que a vida não são só palmarés e taças. E quando não existe essa mesma aceitação acabam por se cometer actos que têm tanto de desesperado como de infantil. Não renego que muitos admirem Mourinho, sobretudo os apreciadores desse espectáculo de pão e circo que é o futebol, contudo é inevitável que a chama desse orgulho se desvaneça face ao seu chocante mau perder. Na minha humilde opinião, quando se adquire um determinado estatuto há posturas que já não devem fazer parte do nosso perfil. Ora, sendo Mourinho considerado uma verdadeira “lenda” enquanto treinador futebolístico não me parece que deva sair do seu lugar e como qualquer puto mimado enfiar o dedo no olho do adjunto de Guardiola. É certo, que o referido adjunto, ao que parece, passou a partida a provocar os madridistas mas quando se é um “special one” devemos ter porte para ignorar todas as provocações. Infelizmente, desde Guardiola até ao dito cujo adjunto, Mourinho já apupou toda a direcção do Barcelona, no entanto, esta posição está longe de lhe conferir um saldo positivo em terras espanholas e com o tempo quem sabe não perderá o epíteto “especial”. 

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publicado por Lígia Laginha às 12:06

Os inacessíveis manuais escolares

Quinta-feira, 18.08.11

A APEL, desdobradamente Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, fez ontem saber que no próximo ano lectivo, que em breve terá inicio, os livros para o Ensino Básico irão aumentar 1,13 por cento. O que, segundo a mesma APEL, não é grave pois, pasme-se, este aumento é abaixo da inflação. Perante esta singular notícia eu pergunto então: E aquelas crianças cujos pais recebem o mísero ordenado mínimo? Será que para elas os manuais escolares não se tornam bens inacessíveis? É porque o dinheiro não estica e, desculpem lá a expressão, quem se lixam são os estudantes que cada vez mais se vêem afastados da escola e da educação a que todos deveriam ter direito. A APEL anunciou ainda que muitos dos manuais serão já escritos segundo o novo Acordo Ortográfico, acordo esse que nunca teve em conta a opinião do povo tuga, maioritariamente contra a essa fantochada de alterar uma língua e uma gramática que foi levada aos outros e não copiada dos mesmos. Enfim, numa altura em que a Pátria é vendida ao eixo franco-alemão (eixo = expressão que não se usava desde o último conflito mundial) não é de estranhar que abdiquemos igualmente da língua e da educação. Enquanto isso, a des(educação) aumenta e o abandono escolar também. Saliente-se, no entanto, que esse abandono nem sempre é fácil de quantificar na medida em que muitos vão para a escola mas não com o intuito de aprender. Vão porque simplesmente não têm mais para onde ir, vão porque a escola hoje é um sitio em que se perpetram crimes e na maior parte das vezes se fica impune, vão para fazer a vida negra aos professores que estão já desmotivados por um modelo de avaliação que torna a sua actividade ridícula. Estes são os verdadeiros problemas da educação em Portugal e o aumento do preço dos manuais escolares, abaixo ou acima da inflação, não ajuda em NADA!

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publicado por Lígia Laginha às 09:24


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