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112: O número da discórdia

Sexta-feira, 05.08.11

Já todos sabemos que, em Portugal, as questões de saúde nem sempre têm a resposta pretendida. Muitos esperam anos e anos para ser operados a qualquer coisa e acabam por morrer sem o ser, sendo que não são raros os casos em que depois de mortos é que são chamados. Outros dão entrada no bloco operatório para ser operados às varizes e acabam por ser intervencionados na vesícula. E a estes casos poderíamos, infelizmente, somar mais uma quantidade deles que têm tanto de chocante como de hilariante. Esta semana muita tem sido a polémica em torno do número 112 e da sua capacidade de dar resposta a quem o solicita. Tudo isto porque alguém na bancada do PSD se lembrou em fazer um “teste” para demonstrar que o atendimento por parte do 112 é moroso e nesse sentido, muitas vezes, ineficaz. Os defensores da justiça e dos bons costumes não se fizeram esperar e logo tiraram da cartola o argumento de que as chamadas falsas para os números de imergência são consideradas crime. Outros houve ainda que alegaram que o 112 não era o mesmo que INEM. Na minha opinião, este caso resume-se a uma simples ideia: quem ousa questionar determinadas áreas é visto como um criminoso. Acho que já todos sabemos também que o 112 funciona muito mal, para não dizer pessimamente, e embora não seja o INEM com ele está directamente relacionado (pelo menos assim deve ser). Quantas vezes perante uma situação de imergência nós discamos o 112 e esperamos ansiosamente ouvir uma voz do outro lado? O pior é que quando, finalmente, essa voz surge nos atropela com uma enxurrada de perguntas sobre a imergência às quais nós não sabemos nem nos encontramos em condições de responder. Considerar crime um “teste” em que o testado faz a diferença entre a vida e a morte é uma atitude ridícula e de quem não tem mais nada que fazer. Não será crime deixar morrer pessoas que esperam tempo de mais por ajuda? Não será crime numa situação desesperada as pessoas não terem resposta por parte daqueles que as deviam auxiliar? Isso sim são crimes. Mas enfim, na terra tuga a justiça tem dois pesos e duas medidas e enquanto os verdadeiros criminosos andam à solta, os que nada fizeram sentam-se no lugar do réu.

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publicado por Lígia Laginha às 07:52





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