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A (in)justa causa

Sexta-feira, 23.09.11

Por estes dias muito se tem falado de despedimentos, das causas que podem justifica-los e da justiça das mesmas causas. Conclui-se portanto que despedir é obrigatório e que a discussão está nos argumentos que se usam para dispensar um trabalhador. No entanto, justiça sempre foi e é um conceito marcado pela relatividade. O que pode ser justo para mim é de certo injusto para outros e assim sucessivamente. A justiça depende do contexto em que estamos e de como observamos aquilo que deve ou não ser justo. Evidentemente, que o trabalhador não achará justo perder o trabalho, deixar de auferir um salário e prescindir da capacidade de pagar contas, comer, vestir e calçar. Contudo, aquele que despede, o patrão ou chefe, não acha justo pagar um salário a alguém que para si não é produtivo e mandria no trabalho. Ou seja, a mesma questão, pontos de vista diferentes. Mas colocando de lado toda esta filosofia, na prática apenas um dos lados será prejudicado: o trabalhador. E no topo de toda esta questão o seguinte: deixará a justa causa de ser necessária para despedir? E, nesse sentido, qualquer pessoa poderá ser despedida só porque sim? Passará a salvaguarda do nosso posto de trabalho a depender do chefe gostar ou embirrar connosco? Estas são as perguntas que nós, trabalhadores, queremos ver respondidas. Não obstante, os nossos governantes estão mais preocupados em esmiuçar o direito do trabalho e a Constituição procurando avidamente razões para lixar o povo tuga e agradar à noiva Troika. 

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publicado por Lígia Laginha às 09:35

A idade do apagão

Sexta-feira, 16.09.11

Muitos ainda consideram a Idade Média como a Idade das trevas, do obscurantismo, do breu. A verdade, é que a Idade do apagão é agora. Com o custo da electricidade a aumentar em 30% como ora se prevê muitos serão aqueles que estão condenados a viver na mais densa escuridão. Olhar para um futuro em que os bens essenciais (sim porque a electricidade é hoje um bem essencial) se revelam para a maioria das famílias como algo inacessível é frustrante. E mais do que frustrante é revoltante. Vivemos num progresso retrocesso em que quanto mais para a frente caminhamos mais longe do bem-estar social estamos. E a revolta é sobretudo uma: são sempre os mesmos a pagar! Os governantes de hoje esquecem-se das pessoas em prol das benesses económicas. Deplorável mas verídico. Enfim, lá teremos de voltar ao velhinho candeeiro a petróleo ou a azeite. Mais uma pena a que o povo tuga, inocente, foi condenado pelos seus dirigentes, os verdadeiros culpados. 

 

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publicado por Lígia Laginha às 09:28

O adeus ao Magalhães

Quinta-feira, 15.09.11

E pronto, poucos anos depois de ter iniciado as suas viagens pelos mares do primeiro ciclo, lá se foi o Magalhães, naufragado nas intempéries da crise e no maremoto dos cortes da despesa. Bandeira do anterior Governo, que se preocupou em criar um Portugal tecnológico, o Magalhães não encontrou apoios no actual Governo. Tristes ficam as crianças que tinham no programa e-escolinha e no Magalhães a sua primeira hipótese de contactar com um portátil e de navegar na Internet e tudo isso a baixos custos. Enfim, que ao menos exista a esperança do dinheiro outrora canalizado para este fim ser agora melhor utilizado. Resta concluir que o nome adoptado por Sócrates para designar estes computadorzecos foi o melhor. Senão vejamos: Tal qual o navegador português que se lançou à descoberta dos mares sem fim, também o Magalhães computador chegou cheio de ambição às mais diversas escolas, no entanto, ambos os Magalhães, tanto o navegador como o computador, acabaram com as expectativas goradas e naufragaram no mar da desilusão. E ainda dizem que um nome não traz um destino!

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publicado por Lígia Laginha às 11:31

A homossexualidade tem grau

Terça-feira, 13.09.11

Vamos cingir-nos à sociedade portuguesa e à Igreja católica. Durante séculos, isso mesmo sé-cu-los, a Igreja teve um papel primordial dentro da sociedade, papel esse muitas vezes negativo, outras tantas vezes positivo. Hoje essa sociedade evoluiu e a presença da Igreja na vida das pessoas diminuiu tanto quanto o obscurantismo que antes as prendia à mesma. Neste sentido, a Igreja tem procurado aumentar a sua intervenção em questões que são importantes para a sociedade, e essa interferência não é a mais do que a tentativa desesperada em manter o seu estatuto perante a mesma. Falemos agora da homossexualidade. Muitos acreditam que a homossexualidade é fruto da época contemporânea, contudo se estudarem a questão a fundo perceberão que esta forma de afecto é uma realidade de todas as épocas. O que acontecia era o seguinte: o amor entre duas pessoas do mesmo sexo era tabu e aqueles que se sentiam como homossexuais era obrigados a casar e a manter uma vida de aparência sob pena de ser completamente ostracizados. Hoje a abordagem à homossexualidade mudou e este tipo de relação é visto com muito mais naturalidade do que há anos atrás. A chamada discriminação continua mas atinge contornos muito menos graves. Juntemos então as duas questões: a homossexualidade e a Igreja. Recentemente a Igreja veio dizer que só aceitaria o divórcio num casal em que um dos cônjuges fosse homossexual consoante o grau dessa homossexualidade. E a esta decisão geral já de si ridícula e estapafúrdia juntou um conjunto de argumentos em que explica quais os critérios que vão ser usados para calcular o tal grau. Em traços gerais vai colocar numa balança quantas vezes é que a pessoa já se relacionou com alguém do mesmo sexo e contrapor esse número ao número de vezes que manteve um relacionamento heterossexual. Daí resultará a conclusão se é possível ou não a pessoa continuar a cumprir com os seus deveres matrimoniais. Enfim, há muito tempo que não ouvia uma coisa tão se nexo e apenas posso concluir: Na sua busca desenfreada em se manter activa, dominante e omnipresente, a Igreja é cada vez mais alvo de chacota dada a sua postura estrambólica e ridiculamente intransigente. Melhor seria se criassem um método para medir o grau de pedofilia de grande parte dos membros da Igreja, isso sim seria apoiado pela sociedade e salvaguardaria as crianças de um dos seus principais inimigos.  

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publicado por Lígia Laginha às 08:34

Os parabéns à tragédia

Segunda-feira, 12.09.11

Ontem assinalaram-se dez anos sobre os ataques terroristas ao World Trade Center. No entanto, há uma coisa que a mim me faz confusão: Porque se comemoram com pompa e circunstância as efemérides mais trágicas? Acho natural que se homenageiem as vítimas de uma atitude tão assassina como cobarde, contudo apelidar essas homenagens de comemorações deixa-me confusa. Nós costumamos celebrar os aniversários ou comemorar a entrada na Universidade, não obstante, não percebo o porquê de celebrar datas nefastas. Parece que se cantam os “parabéns a você” ao terrorismo e às suas consequências fatídicas. Muitos responderão que estas cerimónias servem para que os actos mais bárbaros não sejam esquecidos. Em certa parte concordo, mas eu pergunto: Será que as pessoas que perderam alguém nestes ataques ou foram de certa forma afectadas por eles precisam de tanto showbizz para não esquecer?? Não estive lá, nem sequer consigo imaginar o que seria estar, mas de uma coisa tenho a certeza: Se tivesse estado lá seria muito mais difícil esquecer-me do que lembrar-me do que aconteceu. Fora dos E.U.A. esta data também é lembrada mas por mais elaboradas que sejam as cerimónias os "estrangeiros" continuarão sempre a encarar o que se passou quase como um filme produzido na América. Um filme em que muitos não acreditam dada a sua dimensão trágica, um filme que muitos vêem de boca aberta e esclamando aqui e ali "coitadinhos", enfim... um filme e nada mais. A verdade nua e crua é que mais uma vez alguns se aproveitaram do sofrimento dos outros. Os média apelaram à lágrima e os organizadores dos eventos encheram os bolsos. Os outros, as vítimas, ficaram lá sepultadas e não são as “comemorações” que as trarão de volta. Quanto a mim, por terras tugas me fico observando como a América se acha o umbigo do Mundo e os seus subordinados económicos lhe alimentam o ego. Aja paciência! 

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publicado por Lígia Laginha às 09:22





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